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Canetas emagrecedoras e reumatologia: o que você precisa saber?

  • Foto do escritor: Karen Santos Lima
    Karen Santos Lima
  • 22 de ago.
  • 5 min de leitura
Imagem demonstrando uma pessoa com obesidade e dor no joelho, com uma mesa ao lado com medicações incluindo medicação injetável para tratamento de obesidade. À direita, um esquema de joelho inflamado em destaque.
Imagem demonstrando uma pessoa com obesidade e dor no joelho, com uma mesa ao lado com medicações incluindo medicação injetável para tratamento de obesidade. À direita, um esquema de joelho inflamado em destaque.

As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam muito espaço nos últimos anos. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida passaram a fazer parte das conversas sobre obesidade, perda de peso e saúde metabólica. Isso não é à toa! Obesidade ainda é uma das doenças crônicas mais prevalentes da atualidade e está atrelada a uma série de outras doenças, e essas medicações vieram como uma revolução no tratamento dessa condição.


Mas o que isso tem a ver com reumatologia?


Mais do que pode parecer.


O excesso de peso pode influenciar a saúde das articulações (veja o post a respeito aqui), a mobilidade e algumas doenças reumatológicas. Por outro lado, durante um processo de emagrecimento, também é importante prestar atenção à preservação da massa muscular.


Por isso, quando uma pessoa com uma doença reumatológica utiliza uma medicação para perda de peso, não devemos olhar apenas para o número que aparece na balança.


O que são as “canetas emagrecedoras”?

O termo “canetas emagrecedoras” é usado popularmente para se referir a medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade e de algumas alterações metabólicas, sendo os mais comuns até o momento a semaglutida, a liraglutida e a tirzepatida, e alguns outros em desenvolvimento.


Alguns deles atuam em vias hormonais relacionadas à saciedade, ao apetite e ao metabolismo. Entre os medicamentos mais conhecidos estão os agonistas do receptor de GLP-1 e medicamentos que atuam em mais de uma via metabólica, como os agonistas de GIP/GLP-1.


Eles podem reduzir o apetite e aumentar a saciedade, facilitando a redução da ingestão alimentar e, consequentemente, a perda de peso.


Mas ao utilizar essas canetas pura e simplesmente, nós não garantimos apenas a perda de gordura, e é aí que a reumatologia entra.


Por que o emagrecimento pode ser importante para as articulações?

Já falamos um pouco a respeito no post anterior (confira aqui), mas relembrando, o excesso de peso pode aumentar a sobrecarga mecânica sobre algumas articulações, especialmente joelhos e quadris. Em pessoas com osteoartrite, por exemplo, a perda de peso pode contribuir para reduzir a sobrecarga articular, melhorar a dor e favorecer a capacidade funcional.


Além disso, o tecido adiposo participa de processos metabólicos e inflamatórios. A obesidade está associada a um estado de inflamação crônica de baixo grau e pode influenciar diferentes aspectos da saúde musculoesquelética. Por isso, quando existe obesidade associada a uma doença reumatológica, tratar o excesso de peso pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.


E nas doenças reumatológicas inflamatórias?

Aqui é importante fazer uma distinção: as canetas utilizadas para tratar obesidade não são, de maneira geral, medicamentos específicos para tratar doenças como artrite reumatoide, artrite psoriásica ou espondiloartrites.


Ou seja: uma pessoa com uma doença reumatológica inflamatória não deve suspender ou substituir seu tratamento porque começou a perder peso. O controle da doença reumatológica continua sendo necessário. Ao mesmo tempo, tratar a obesidade pode ser importante porque o excesso de peso pode coexistir com essas doenças e influenciar a saúde geral, a capacidade funcional e, em alguns contextos, a resposta ao tratamento. É preciso olhar para as duas condições, e não escolher entre uma e outra.


O ponto de atenção: perder peso sem perder músculo

Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes dessa conversa.

Durante qualquer processo de perda de peso, pode ocorrer redução de massa magra além da redução de gordura. Para quem tem uma doença reumatológica, preservar a musculatura é especialmente importante.


Os músculos ajudam a sustentar e proteger as articulações, contribuem para o equilíbrio e a mobilidade e são fundamentais para realizar as atividades do dia a dia. Por isso, uma boa resposta ao tratamento da obesidade não deve ser avaliada apenas pelo número de quilos perdidos.


Também precisamos pensar em composição corporal, força e função.


Como preservar a massa muscular durante o emagrecimento?

O processo de emagrecimento deve ser acompanhado por estratégias que ajudem a preservar a massa magra. Entre elas estão:

  • ingestão adequada de proteínas, individualizada para cada pessoa;

  • prática de exercícios, especialmente treinamento de força quando não houver contraindicação;

  • manutenção de atividade física regular;

  • acompanhamento médico e nutricional quando necessário;

  • atenção à evolução da força, da disposição e da capacidade funcional.


Para uma pessoa com doença reumatológica, o exercício pode precisar ser adaptado à condição das articulações, ao grau de inflamação e às limitações existentes. Em alguns casos, fisioterapia e orientação profissional sobre exercícios também podem fazer parte desse cuidado.


E é diferente emagrecer com caneta emagrecedora ou sem usar essas canetas?

Existem alguns estudos sugerindo que essas canetas tenham algum efeito anti-inflamatório além do que é obtido apenas com a perda de peso. Então pode ser que sim, seja diferente, mas por enquanto ainda é especulação, e a recomendação ainda é "perder peso" e não "usar a caneta", de modo que perder peso com medicação, bariátrica ou sem essas intervenções é o que importa.


Então quem tem uma doença reumatológica pode usar uma “caneta emagrecedora”?

A presença de uma doença reumatológica, por si só, não significa que uma pessoa não possa utilizar medicamentos para tratamento da obesidade ou que obrigue a utilizar. A indicação precisa ser individualizada. É necessário considerar o diagnóstico, outras doenças presentes, medicamentos em uso, contraindicações, possíveis efeitos adversos e os objetivos do tratamento. Além disso, é importante avaliar se a perda de peso está acontecendo de uma maneira que preserve a saúde e a funcionalidade.


Não é porque uma medicação está popular que ela é indicada para todas as pessoas.

O que o reumatologista pode avaliar?

Quando uma pessoa com doença reumatológica também apresenta obesidade, o acompanhamento pode envolver mais do que simplesmente avaliar se a doença está “controlada”. É importante observar:

  • atividade da doença;

  • dor e inflamação;

  • força muscular;

  • mobilidade;

  • capacidade funcional;

  • impacto do peso sobre as articulações;

  • atividade física;

  • composição corporal, quando houver indicação para avaliá-la.


O objetivo é fazer com que o tratamento de uma condição não prejudique o cuidado com a outra.


Mais importante do que perder peso é preservar a saúde

As chamadas canetas emagrecedoras podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade para pessoas que têm indicação médica. Para quem também apresenta uma doença reumatológica, porém, o objetivo não deve ser simplesmente “pesar menos”. Queremos reduzir os impactos do excesso de peso sem abrir mão da força, da mobilidade e da função.


Porque, na reumatologia, cuidar da saúde também significa preservar a capacidade de caminhar, trabalhar, praticar atividades físicas, realizar tarefas do cotidiano e viver com autonomia. A balança é apenas uma parte da história.


O resultado mais importante é uma pessoa mais saudável, mais funcional e com melhor qualidade de vida.



Beijinhos da sua reumato!

CRM MG 86411

RQE 66505

 
 
 

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