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Existe relação entre obesidade e doenças reumatológicas?

  • Foto do escritor: Karen Santos Lima
    Karen Santos Lima
  • 20 de ago.
  • 4 min de leitura
Figura 1 - Imagem representando uma mulher com obesidade e dor no joelho. Ao lado um desejo de um joelho inflamado em destaque.
Figura 1 - Imagem representando uma mulher com obesidade e dor no joelho. Ao lado um desejo de um joelho inflamado em destaque.

Quando falamos em obesidade, é comum pensarmos primeiro em alimentação, metabolismo e saúde cardiovascular. Mas o excesso de tecido adiposo também pode ter impacto importante sobre o sistema musculoesquelético e sobre algumas doenças reumatológicas imunomediadas.


A relação, porém, vai além de sobrecarga articular e do raciocínio genérico de que simplesmente “quanto maior o peso, maior a dor”.


O peso corporal pode aumentar a sobrecarga nas articulações

Sim, essa parte é real e não deve ser menosprezada. As articulações precisam suportar e distribuir as cargas durante atividades como caminhar, subir escadas e levantar-se de uma cadeira.


Quando há excesso de peso, algumas articulações (especialmente joelhos, quadris e coluna) podem sofrer maior sobrecarga mecânica. Isso pode contribuir para o desenvolvimento e a progressão da osteoartrite, além de favorecer dor e limitação funcional.


Mas só isso não justifica a relação de sobrepeso e osteoartrite/dor, mesmo porque a obesidade também se relacionada com o acometimento das mãos e ninguém sobrecarrega as mãos andando plantando bananeira, né?


O tecido adiposo também participa da inflamação

O tecido adiposo não é apenas um local de armazenamento de energia. Ele é metabolicamente ativo e produz diversas substâncias que participam da regulação do organismo, incluindo mediadores envolvidos em processos inflamatórios.


Na obesidade, pode existir um estado de inflamação crônica de baixo grau. Essa alteração metabólica pode influenciar diferentes mecanismos relacionados à dor e à inflamação local e sistêmica.


Por isso, a relação entre obesidade e doenças reumatológicas não pode ser explicada apenas pela sobrecarga mecânica.


E as doenças reumatológicas inflamatórias?

A obesidade também pode estar associada a características de algumas doenças reumatológicas inflamatórias, podendo influenciar sua atividade, manifestações clínicas e, em determinadas situações, a resposta aos tratamentos.


Essa relação é especialmente relevante porque o excesso de peso pode coexistir com doenças como artrite reumatoide, espondiloartrites, artrite psoriásica e gota, entre outras.


Isso não significa que a obesidade seja a causa de todas essas doenças, mas pode contribuir para maior atividade de doença sim (pelo maior potencial inflamatório) e por maior dificuldade de resposta ao tratamento medicamentoso (tanto pelo potencial inflamatório e outras citocinas que interferem com os medicamentos, quanto pelo maior volume de tecido pro medicamento ser depositado).


Isso significa que peso corporal, metabolismo, inflamação e sistema musculoesquelético podem estar interligados.


Mas atenção: nem toda dor em uma pessoa com obesidade é “por causa do peso”

Esse é um ponto muito importante e uma generalização errônea e muito comum. Uma pessoa com obesidade pode apresentar dor por sobrecarga mecânica, mas também pode ter uma doença reumatológica que precisa ser diagnosticada e tratada de forma mais complexa do que apenas perder peso.


Dor persistente, inchaço nas articulações, rigidez prolongada pela manhã, dor que desperta durante a noite ou outros sintomas associados merecem avaliação adequada.

Atribuir toda dor ao excesso de peso pode fazer com que uma doença reumatológica passe despercebida.


Emagrecer faz parte do tratamento?

Em algumas situações, a perda de peso pode ser uma parte importante do cuidado. Tanto pensando pela sobrecarga articular quanto pensando pelo esquema inflamatório que já conversamos acima. Inclusive, do ponto de vista inflamatório, a obesidade é considerada num corte muitas vezes inferior que quando olhamos "apenas" o peso. Ou seja, uma pessoa pode não ter ainda o IMC de obesidade, mas ter um aumento de gordura visceral que já promove as alterações inflamatórias que conversamos. Então mesmo sem ser obesa, já pode ter recomendação de emagrecimento com essas recomendações.


Mas isso não significa que “emagrecer resolve a doença reumatológica”.


Uma pessoa com artrite inflamatória, por exemplo, continua precisando do tratamento adequado para controlar a doença. Da mesma forma, uma pessoa com osteoartrite não deve ter sua dor simplesmente atribuída ao peso sem uma avaliação individualizada.


Como sempre digo, o tratamento deve olhar para a pessoa como um todo.


Cuidar do peso também é cuidar do movimento

Na reumatologia, nosso objetivo não é apenas controlar a dor ou os exames. É preservar aquilo que permite que você continue vivendo a sua vida: força, mobilidade, função e autonomia.


Por isso, quando existe obesidade associada a uma doença reumatológica, o cuidado pode envolver diferentes estratégias: tratamento específico da doença, atividade física adequada, alimentação, sono, controle de outras condições de saúde e, quando indicado, estratégias para redução de peso. Não se trata apenas de reduzir o número na balança, tá?


Quando procurar um reumatologista?

Se você apresenta dor articular persistente, inchaço, rigidez matinal prolongada, dor nas costas com características inflamatórias ou outros sintomas que estejam limitando suas atividades, vale conversar com um médico.



Ter excesso de peso não significa que toda dor seja causada por ele, e uma avaliação adequada é o primeiro passo para entender o que está acontecendo.


Seu peso é apenas uma parte da sua saúde. Seu movimento, sua função e sua qualidade de vida também importam.


Beijinhos da sua reumato

Karen Santos Lima

CRMMG 86411 RQE 66505

 
 
 

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