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Arterite de células gigantes: pode ser mais que uma dor de cabeça

  • Foto do escritor: Karen Santos Lima
    Karen Santos Lima
  • 19 de fev.
  • 3 min de leitura
Imagem gerada por IA, representando a arterite de células gigantes em vários locais de acometimento, formas de diagnóstico e tratamento.
Imagem gerada por IA, representando a arterite de células gigantes em vários locais de acometimento, formas de diagnóstico e tratamento.

Já fomos inroduzidos ao conceito de vasculites e já até começamos a conversar sobre alguns tipos de vasculite por aí. Hoje vamos apresentar mais uma: a arterite de células gigantes. Não é uma vasculite tão rara, mas ainda é muito subdiagnosticada, e saber os sinais para o reconhecimento precoce faz toda a diferença.


A arterite de células gigantes é uma vasculite caracteristicamente de grandes vasos, mas tem uma preferência ímpar pela artéria temporal (aquela, que fica do lado da cabeça e sentimos pulsar, onde a senhora do desenho acima está encostando). Essa artéria alimenta uma boa parte da cabeça e do rosto, incluindo os olhos, e por isso pode levar a vários danos locais (necrose de língua ou de couro cabeludo, claudicação de mandíbula e, o mais preocupante, perda de visão).


Existem poucas emergências reumatológicas de fato, e a arterite de células gigantes, pelo risco de perda visual, é uma delas. Merece reconhecimento rápido e tratamento rápido.


O que é a Arterite de Células Gigantes?

Relembrando: é uma vasculite, e, por tal, ocorre por uma inflamação da parede das artérias, podendo deixá-la espessada e dificultando passar fluxo sanguíneo. Prefere artérias temporais, mas pode pegar também ramos oftálmicos e aorta e seus ramos principais. Por isso é classificada como vasculite de grandes vasos.


Pode vir associada a uma outra condição que logo logo falaremos melhor: Polimialgia Reumática — até 40–60% dos pacientes podem apresentar as duas condições simultaneamente.


Quem tem maior risco?

Classicamente é uma doença de pessoas mais velhas. Inclusive, por ter padrão de acometimento semelhante à doença de Takayasu (já falada nesse post), a idade se torna importante para ajudar a diferenciar entre as duas, já que Takayasu é caracteristicamente de pessoas jovens. Portanto quem está em mais risco de ter a doença são:

  • Pessoas com idade acima de 50 anos (pico entre 70–80 anos)

  • Mulheres

  • Populações de origem europeia (têm prevalência maior da doença quando comparado às demais populações).


    É rara antes dos 50 anos. Dor de cabeça nova em idoso sempre merece atenção.


Principais sintomas

A apresentação pode variar, mas alguns sinais são clássicos:

Dor de cabeça nova

Geralmente temporal (o ladinho da testa), persistente e pode acompanhar uma sensibilidade estranha no couro cabeludo. Às vezes a pessoa pode sentir uma dor ou desconforto ao pentear os cabelos, por exemplo. O preocupante dessa parte é evoluir para necrose do couro cabeludo.

Claudicação de mandíbula

Claudicação é uma dor relacionada ao movimento e esforço e que melhora com o repouso rapidamente. No caso da mandíbula ocorre por falta de circulação sangúinea no músculo que fica na mandíbula, e é responsável pela mastigação (esse músculo chama masseter). Como tem menos sangue, quando precisamos fazer esforço maior (como quando precisamos mastigar um pedaço de carne).

Sintomas visuais

Esse é o mais preocupante da histórica. Por reduzir o fluxo de sangue pelas artérias que alimentam a visão a pessoa pode perde a visão temporariamente (amaurose fugaz) ou definitiamente. Na presença de perda de visão, seja ela temporária ou não, corra para o pronto socorro (de preferência oftalmológico).

Sintomas sistêmicos

Envolvem febre, perda de peso, fadiga e culminam com alterações laboratoriais (elevação de PCR e VHS - proteíans no sangue relacionadas a inflamação).


Por que é tão grave?

Já falamos sobre perda de visão, que pode ser irreversível e sobre necrose de língua e couro cabeludo. Além disso pode haver alterações na anatomia das artérias levando a dissecção, aneurisma e a problemas do coração.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, laboratorial e por imagem. Ou seja, precisamos colher a história e fazer exame físico, exames de sangue e exames de imagem.


Pode envolver:

  • VHS e PCR elevados no sangue

  • Ultrassom de artérias temporais (sinal do halo)

  • Angiotomografia ou angiorressonância

  • Biópsia de artéria temporal


Tratamento

Se a suspeita é forte, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. É melhor tratar mais cedo e se não for o caso retirar a medicação depois.

A base é:

  • Corticoide em altas doses

  • Em casos selecionados, imunossupressores e imunobiológicos.


O objetivo é:

  1. Preservar a visão

  2. Controlar a inflamação

  3. Reduzir risco de complicações vasculares


Mensagem final

A arterite de células gigantes é uma doença tratável, mas o tempo é decisivo.

Dor de cabeça nova em paciente idoso não é “normal da idade”. Pode ser o primeiro sinal de uma vasculite potencialmente grave.

Diagnóstico precoce salva visão.

Procure o reumatologista.



Beijinhos da sua reumato 💜

Karen Santos Lima – Reumatologista

CRM MG 86411 | RQE 66505

@karen.lima.reumato

 
 
 

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