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Gota: a doença dos reis

Foto do escritor: Karen Santos Lima
Karen Santos Lima
15 de set.
3 min de leitura
Imagem gerada por IA demonstrando uma conversa de uma médica sobre gota com um paciente.
Imagem gerada por IA demonstrando uma conversa de uma médica sobre gota com um paciente.

Você já ouviu falar sobre gota? É uma doença relativamente comum, caracterizada por episódios agudos de uma dor, vermelhidão e inchaço muito importantes normalmente em articulações periféricas (como o dedão). É uma doença relacionada a carnes, frutos do mar, cerveja, e frio, dentre outros. E durante séculos, a gota foi conhecida como a “doença dos reis”. Isso porque a doença era frequentemente associada a pessoas que tinham acesso a grandes quantidades de carne, bebidas alcoólicas e comidas consideradas luxuosas na época.


O que é a gota?

A gota é uma doença causada pelo depósito de cristais de ácido úrico nas articulações.

Esses cristais provocam uma intensa reação inflamatória e podem causar aquelas crises de dor que muitos pacientes descrevem como uma dor súbita, muito forte, acompanhada de inchaço, vermelhidão e calor na articulação. O local mais conhecido é a base do dedão do pé, mas a gota também pode acometer tornozelos, joelhos, pés, mãos e outras articulações.


E o que a alimentação tem a ver com isso?

O ácido úrico é produzido pelo nosso organismo a partir da quebra de substâncias chamadas purinas, que estão presentes naturalmente em diversos alimentos, principalmente em alguns tipos de carne e frutos do mar.


Além disso, o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente cerveja, pode favorecer o aumento do ácido úrico e o desencadeamento de crises.


Bebidas e alimentos ricos em açúcar, particularmente aqueles com frutose, também podem contribuir para o aumento do ácido úrico.


Por isso, a alimentação pode, sim, influenciar a gota.

Mas isso não significa que a pessoa teve gota simplesmente porque “comeu errado”.


Então por que alguns pacientes têm gota mesmo se não comem tanta carne?

Porque a alimentação é apenas um dos fatores envolvidos.


A maior parte do ácido úrico é eliminada pelos rins. Algumas pessoas têm maior dificuldade em eliminar o ácido úrico, por características genéticas ou pela presença de outras condições ou uso de algumas medicações.


Além disso, fatores como obesidade e alterações metabólicas podem aumentar o risco de hiperuricemia e gota. Ou seja: duas pessoas podem ter hábitos alimentares semelhantes e ter riscos muito diferentes de desenvolver a doença.


“Mas se eu tenho gota, eu preciso cortar tudo?”

Não necessariamente.

Uma dieta extremamente restritiva nem sempre é necessária e pode ser difícil de manter. De maneira geral, é mais útil adotar uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo excessivo de álcool e de alimentos ricos em purinas e açúcares adicionados, além de cuidar do peso e das condições de saúde associadas.


E existe um ponto muito importante:

mudanças na alimentação ajudam no controle da gota, mas não substituem o tratamento medicamentoso quando ele é indicado.

Quando existe indicação de tratamento para reduzir o ácido úrico, o objetivo é manter seus níveis adequadamente controlados e, assim, prevenir novas crises e as complicações da doença.


Afinal, por que “doença dos reis”?

A expressão ficou famosa porque, historicamente, a gota era mais observada em pessoas que tinham acesso a uma alimentação farta, com grande consumo de carne e álcool. Mas hoje sabemos que a gota não é uma doença de quem simplesmente “come demais”. Ela é uma doença metabólica, influenciada por genética, capacidade de eliminação do ácido úrico, alimentação, peso, outras doenças e medicamentos.


Então, se você tem gota, não precisa viver com medo de nunca mais comer carne ou de ser culpado por cada crise. A alimentação importa. Mas a gota é muito mais do que uma doença causada pela comida.


E é justamente por isso que o tratamento deve ser individualizado.



Dra. Karen Lima

CRM MG 86411 RQE 66505 (reumatologista)

 
 
 

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