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Quimioterapia na reumatologia: por que um reumatologista prescreveria isso?

Foto do escritor: Karen Santos Lima
Karen Santos Lima
há 7 dias
3 min de leitura
Imagem representando uma mulher com dúvida sobre o tema "quimioterapia na reumatologia".
Imagem representando uma mulher com dúvida sobre o tema "quimioterapia na reumatologia".

“Doutora, você me passou o remédio, mas quando fui fazer, falaram que era quimioterapia! Eu não estou com câncer, então não vou tomar”


Essa fala já apareceu para mim algumas vezes. Apesar de não ser a quimioterapia que associamos ao câncer, percebo que é um tema que gera dúvida, então resolvi trazer para cá também.


E a dúvida é completamente compreensível. A palavra “quimioterapia” costuma ser imediatamente associada ao tratamento do câncer. Mas alguns medicamentos utilizados na oncologia também podem ser utilizados, em doses e esquemas diferentes, para tratar doenças reumatológicas. Isso também impacta nos famosos efeitos colaterais de quem usa quimioterapia: como usamos doses e espaçamentos diferentes, muitas vezes os efeitos colaterais são mais leves ou até inexistentes.


Quimioterapia não é sinônimo de tratamento para câncer

De forma ampla, quimioterapia significa o tratamento de uma doença por meio de substâncias químicas que interferem em determinados processos do organismo. Na prática médica, alguns medicamentos desenvolvidos ou utilizados na oncologia também podem ter efeitos importantes sobre o sistema imunológico e a inflamação. E é justamente aí que eles podem entrar na reumatologia.


Algumas doenças reumatológicas são causadas ou mantidas por uma resposta imunológica inadequada. Nesses casos, controlar a atividade do sistema imunológico pode ser fundamental para impedir que a doença continue causando inflamação e danos aos órgãos e tecidos.


Um exemplo conhecido: o metotrexato

E olha que esse ninguém associa a quimioterapia, hein? Rsrs

Mesmo assim, o metotrexato talvez seja o melhor exemplo dessa situação. Ele é utilizado em determinados tratamentos oncológicos, mas também é um dos medicamentos mais tradicionais no tratamento de doenças reumatológicas, especialmente algumas formas de artrite inflamatória. A grande diferença está na indicação, dose, esquema de administração e objetivo do tratamento.


Na reumatologia, o metotrexato é utilizado principalmente por sua capacidade de modular a resposta imunológica e reduzir a inflamação. Ou seja: o fato de um medicamento também ser utilizado na oncologia não significa que um paciente com artrite esteja recebendo “quimioterapia contra câncer”.


É tipo pensar que o mesmo remédio pode ter duas funções diferentes (por exemplo a dipirona para dor e para febre).


E existem outros medicamentos?

Outros medicamentos que podem ser utilizados em diferentes áreas da medicina também têm aplicações na reumatologia.


Um exemplo é a ciclofosfamida, que pode ser utilizada em algumas doenças reumatológicas graves, principalmente quando existe comprometimento importante de órgãos. Nessas situações, o objetivo é controlar rapidamente uma resposta imunológica que pode estar causando lesões potencialmente graves.


Com o avanço dos tratamentos, entretanto, a reumatologia passou a contar também com uma grande variedade de medicamentos mais direcionados a componentes específicos do sistema imunológico, como os medicamentos biológicos e as terapias-alvo.


Por que usar um medicamento tão “forte”?

Porque algumas doenças reumatológicas também podem ser bastante graves.

Doenças autoimunes podem comprometer articulações, rins, pulmões, vasos sanguíneos, sistema nervoso e outros órgãos. Nessas situações, deixar a doença inflamatória sem tratamento pode ser muito mais perigoso do que utilizar um medicamento imunomodulador adequadamente indicado. Por isso, o tratamento não deve ser avaliado apenas pela “força” do medicamento.


Então, se meu reumatologista prescreveu um medicamento usado na quimioterapia, não preciso me assustar?

Não. É importante entender qual medicamento foi prescrito, para qual doença, em qual dose e com qual objetivo. Um mesmo medicamento pode ser utilizado para doenças completamente diferentes e produzir efeitos diferentes conforme a dose e o esquema terapêutico.


Por isso, ouvir que determinado remédio “é usado em quimioterapia” não significa, por si só, que ele seja inadequado para o tratamento reumatológico. Na medicina, muitos medicamentos têm mais de uma função. E, na reumatologia, alguns medicamentos que ficaram famosos pela oncologia encontraram outro papel: controlar o sistema imunológico e a inflamação para tratar doenças que nada têm a ver com câncer.


Por isso, se você recebeu uma prescrição e ficou assustado ao descobrir que aquele medicamento também é usado em oncologia, converse com seu reumatologista antes de interromper ou recusar o tratamento.


Entender o motivo pelo qual um medicamento foi escolhido também faz parte do tratamento.



Abraços da sua reumato,

Karen Lima

CRMMG 86411 RQE 66505

 
 
 

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