top of page
Buscar

Cigarro e doenças reumatológicas

Foto do escritor: Karen Santos Lima
Karen Santos Lima
há 14 horas
3 min de leitura

Onde há fumaça há fogo. Ops... inflamação.


Imagem gerada por IA com demonstrações do acometimento reumaotológico relacionado ao cigarro.
Imagem gerada por IA com demonstrações do acometimento reumaotológico relacionado ao cigarro.

Quando a gente fala em problemas de saúde relacionados ao cigarro, normalmente pensa logo em pulmão, câncer, infarto, AVC... (quando pensa em alguma coisa, né?).


A notícia triste que vim aqui trazer para vocês é que devemos pensar TAMBÉM na saúde das nossas articulações. Fumar está relacionado a um risco maior de desenvolver algumas doenças reumáticas, pode influenciar a atividade da doença e ainda atrapalhar a resposta ao tratamento.


E um dos exemplos mais importantes é a artrite reumatoide.


Mas o que o cigarro tem a ver com uma doença autoimune?

Dúvida genuína, claro. Parece que não to falando lé com cré; mas devemos nos lembrar de que nosso corpo é uma única unidade, e apesar do pulmão estar longe das "juntas", eles fazem parte do mesmo organismo e se relacionam. No caso de doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, e com a artrite reumatoide, pega principalmente as articulações. (Ja falamos um pouco sobre esse mecanismo aqui, e sobre artrite reumatoide aqui).


O cigarro pode favorecer alterações no sistema imunológico e aumentar processos inflamatórios. Em pessoas geneticamente predispostas, isso pode contribuir para o desenvolvimento da artrite reumatoide.


E tem um detalhe importante: a relação parece ser especialmente relevante para a forma de artrite reumatoide associada aos anticorpos anti-CCP, ou seja, aquela que a gente consegue identificar no sangue.


Mas, como sempre, não é "tem artrite quem quer, e sim quem pode". Não basta só fumar para desenvolver a doença, tem que ter predisposição genética.


E depois que a doença já apareceu?

Aí o cigarro também não ajuda. Em quem já tem artrite reumatoide, fumar está associado a maior atividade da doença e pode estar relacionado a uma resposta menos favorável a alguns tratamentos. Traduzindo do “reumatologuês”:

se a artrite já está dando trabalho, o cigarro não é exatamente o colega de equipe que você gostaria de colocar no grupo.

E existe outro ponto: pessoas com artrite reumatoide já apresentam maior risco cardiovascular (risco de infarto, derrame cerebral, etc). Como o cigarro também aumenta esse risco, juntar os dois não é uma combinação muito interessante.


E outras doenças reumáticas?

A relação entre tabagismo e doenças reumáticas não termina na artrite reumatoide. Os dois só têm uma relação mais explícita, mas o cigarro simpatiza com outros também.


Na espondiloartrite, por exemplo, o tabagismo está associado a pior evolução de alguns aspectos da doença e pode contribuir para maior dano estrutural.


Na artrite psoriásica, o tabagismo também aparece associado a desfechos menos favoráveis em diferentes estudos.


E há uma relação particularmente importante entre tabagismo e algumas manifestações de esclerose sistêmica. Isso merece atenção especial porque o cigarro pode piorar a circulação, e essas pacientes já podem apresentar fenômenos vasculares importantes, como o fenômeno de Raynaud.


Aliás, se seus dedos ficam brancos, roxos ou muito doloridos com o frio, não é uma boa ideia simplesmente colocar a mão no bolso e fingir que não viu. Vale conversar com um médico. Pode começar tirando dúvida aqui, que tem post do blog a respeito.

“Mas doutora, eu fumo pouco...”

Essa é uma frase que aparece bastante no consultório.

“Só fumo alguns cigarros.”

“Só fumo quando bebo.”

“Só fumo no fim de semana.”

O problema é que “pouco” não significa “sem risco”. Não existe quantidade segura de cigarro.


Além disso, quando estamos falando de uma doença inflamatória ou autoimune, não estamos avaliando apenas o risco de câncer de pulmão. Estamos falando também de inflamação, vasos sanguíneos, coração, pulmões, resposta ao tratamento e evolução da própria doença (como deformidades, tá?).


Por isso, para quem tem uma doença reumática, parar de fumar pode fazer parte do próprio cuidado com a doença.


E se eu já tenho artrite?

Não pense:

“Ah, já tenho a doença mesmo. Agora não adianta mais.”

Adianta, sim.

Parar de fumar continua sendo uma mudança importante em qualquer momento.

E, se você já tentou parar e não conseguiu, isso não significa falta de força de vontade.

Dependência de nicotina é um problema de saúde e pode precisar de tratamento.

Converse com seu médico e procure ajuda para fazer isso de maneira estruturada.

Porque, no fim das contas, quando o assunto é cigarro e doença reumática, existe uma recomendação que é bem simples.


E, se precisar de alguma coisa, já sabe. Estamos aqui.



Beijinhos da sua reumato.

Karen Santos Lima

CRM MG 86411

RQE 66505

 
 
 

Comentários


bottom of page