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Anti-inflamatório: herói ou vilão?

  • Foto do escritor: Karen Santos Lima
    Karen Santos Lima
  • 5 de nov.
  • 2 min de leitura
Foto com muitos comprimidos, remetendo a anti-inflamatórios
Foto com muitos comprimidos, remetendo a anti-inflamatórios

Definição incial

Pra gente começar a bater esse papo precisamos deixar bem claro do que é que estamos falando. Hoje vamos conversar sobre essa classe de medicamentos que faz parte do dia-a-dia do brasileiro, e que chamamos de anti-inflamatórios não hormonais. Os exemplos mais comuns são:

Ibuprofeno; Nimesulida; Diclofenaco; Meloxican, Tenoxican; Etodolaco, Cetorolaco; Celecoxibe, Etoricoxibe e outros tantos que usamos no dia-a-dia.

Esses medicamentos atuam no nosso corpo inibindo uma enzima que contribui para inflamação, a COX, e daí o nome "anti-inflamatório". É não hormonal porque temos o corticoide, um tipo de anti-inflamatório que atua como hormônio também. Mas vamos falar desse segundo tema em outro post, combinado?


Quando ocorre a inibição dessa enzima há uma quebra nas sinalizações de inflamação do nosso corpo, e daí o efeito da medicação. A inflamação pode vir com dor, vermelhidão, calor, inchaço e pode dar febre. Com a medicação a tendência é melhorar todos esses parâmetros.


E quando acontece essa inflamação?

Hoje em dia o termo "inflamação" ficou banalizado. Quero deixar claro que de algum modo a inflamação está presente com muita frequência nas nossas vidas e é essencial em alguns processos (como no processo de lidar com infecções, no processo de hipertrofia muscular e no processo de cicatrizar feridas). Então ela não é completamente "do mal" como se pensa - nesses casos nem sempre precisamos de anti-inflamatórios, e reservamos seu uso apenas para tratar o sintoma da inflamação. Agora, claro que existem inflamações que podem impactar a qualidade de vida e aí entra a indicação da medicação. Na presença de doenças autoimunes / autoinflamatórias, a inflamação ocorre de modo desenfreado ou prejudicial, muitas vezes necessitanto de anti-inflamatório para o manejo.


Qualquer um pode usar anti-inflamatório?

Infelizmente é uma classe de medicação de acesso muito fácil, que muitos usam, mas não é isenta de riscos. Para início de conversa, não, não é todo mundo que pode usar. Por isso é interessante usar apenas após a liberação médica. São medicamentos associados a lesão renal, problemas gastrointestinais (como úlceras, sangramentos e hepatites) e aumento de risco cardiovascular. Então existem pessoas para quem a prescrição de anti-inflamatórios deve ser evitada (pessoas que já tenham problemas, renais, cardiovasculares, gastrointestinais ou idosos - em quem os riscos são potencializados).


E se for prescrito para mim, posso usar sempre?

Nossa, essa é uma pergunta capciosa, hein? Se você perguntar isso para a maior parte dos médicos a reposta vai ser bem clara: NÃO. Não pode usar sempre. Isso porque os riscos citados acima são dose/tempo-dependentes, então quando mais usa, maior o risco de complicações. Mas aqui vai um adendo: a resposta real é que DEPENDE.


Na reumatologia existem condições em que o anti-inflamatório é medicação de primeira linha, e muitas vezes suficiente para o tratamento da condição. Nesses casos há indicação de uso frequente da medicação, mas SEMPRE COM ACOMPANHAMENTO MÉDICO. Então, se foi prescrito para você, mantenha o acompanhamento bonitinho com seu reumatologista, que vai vigiar os efeitos possíveis do medicamento, sempre tomando escolhas pesando riscos e benefícios e visando ao seu melhor.


Se ficou alguma dúvida pode perguntar que eu respondo.

E se quiser conversar comigo, agende uma consulta!



Abraços da sua reumato.

Dra Karen Santos Lima - reumatologista

CRM MG 86411 / RQE 66505

 
 
 

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