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Fenômeno de Raynaud: quando os dedos mudam de cor

  • Foto do escritor: Karen Santos Lima
    Karen Santos Lima
  • 20 de nov.
  • 3 min de leitura
Imagem de capa gerada por IA
Imagem de capa gerada por IA

Se você já ficou com os dedos das mãos (ou dos pés!) brancos, depois roxos, depois vermelhos — quase um semáforo da vida real — provavelmente já ouviu falar do fenômeno de Raynaud. E, cá entre nós, nada mais injusto do que você estar quieto (a), só passando um friozinho ou mexendo com água gelada, e de repente os dedos resolverem fazer cosplay de picolé. Esse fenômeno é mais comum que imaginamos: estima-se que cerca de 3-5% da população apresenta esse fenômeno, e nem sempre vem companhado de doença. Vamos falar um pouco sobre ele.


O que é fenômeno de Raynaud?

O Raynaud é uma alteração na microcirculação dos dedos das mãos, dos pés e, às vezes, até nariz, orelhas, língua e lábios. Quando expostos ao frio ou a um estresse emocional, os vasinhos se contraem demais, diminuindo a passagem de sangue. Daí acontece o famoso trio de cores:

  1. Branco – porque o sangue some da região.

  2. Roxo – por falta momentânea de oxigênio.

  3. Vermelho – quando o sangue volta com tudo.

OBS: Às vezes nós não vemos todas as três fases com tanta clareza, mas a parte isquêmica/pálida/branca é obrigatória para ser considerada Raynaud (igual na figura de abertura abaixo).


Imagem retirada da internet demonstrando Fenômeno de Raynaud com as fases pálida e cianótica.
Imagem retirada da internet demonstrando Fenômeno de Raynaud com as fases pálida e cianótica.

Ou seja...


Nem todo dedo roxo é Raynaud. É obrigatório ter a fase pálida para ser considerado Raynaud. Então se seu dedo só fica roxo no frio, tá tudo certo.

Por que isso acontece?

Raynaud é uma reação exagerada do corpo ao frio ou ao estresse. Mas essa reação pode acontecer de duas formas:


Raynaud primário: o “solitário”

Quando aparece sozinho, sem estar ligado a nenhuma outra doença. É mais comum em mulheres jovens e costuma ser mais leve.


Normalmente:

  • não causa dor intensa,

  • não machuca os dedos,

  • e não leva a complicações.

É chato? Pode ser, mas é benigno na maior parte das vezes e não traz mais problemas.


Raynaud secundário: o “conectado”

O Raynaud pode se associar a outras condições, como medicações, exposições ocupacionais (especialmente se muita vibração, como quem trabalha com ferramentas industriais) e também a outras doenças, como as reumáticas.


As causas mais comuns incluem:

  • Esclerose sistêmica

  • Lúpus

  • Artrite reumatoide

  • Doenças da tireoide

  • Doenças vasculares


Nesse caso, além das mudanças de cor, pode haver:

  • dor mais intensa,

  • feridinhas nas pontas dos dedos (úlceras digitais),

  • atraso na cicatrização,

  • redução do tamanho das pontinhas dos dedos;

  • necessidade de tratamentos específicos.


É aí que entra a necessidade de um reumatologista para avaliar o Fenômeno de Raynaud e identificar possíveis associações com doenças e necessidade de tratamento específico.


Como se proteger? (Crioproteção)

O nome é chique, mas o conceito é básico: não passe frio!


Dicas práticas pra vida real:

  • Use luvas ao sair no frio — e sim, pode ter estilo.

  • Mantenha pés sempre quentinhos com meias e sapatos adequados.

  • Lembre-se de manter o tronco também sempre aquecido, não só as extremidades (isso porque se bate um ventinho no peito, o corpo pode querer descontar reduzindo a circulação nos dedos. Isso é normal, mas no Raynaud isso é mais dramático).

  • Evite pegar objetos gelados direto (copos, latinhas, freezer).

  • Fuja de mudanças bruscas de temperatura.

  • Leve sempre uma manta ou casaco (mesmo quando você “acha” que não vai precisar).

  • Tente reduzir estresse — o Raynaud adora uma emoção, mas a gente não.

  • Evite cigarro — ele piora a circulação.


Quando devo investigar?

Se o Raynaud:

  • começou depois dos 30 anos,

  • é muito doloroso,

  • causa feridas,

  • aparece só em um lado do corpo,

  • ou você tem sintomas como dormência, fraqueza, manchas na pele, queda de cabelo, pele engrossando, alterações nas unhas ou articulações…


… então vale procurar uma avaliação reumatológica para investigar causas secundárias.


E o tratamento?

SEMPRE: crioproteção (que conversamos aqui em cima).


Se secundário: tratamento da causa base, e em alguns casos usamos remédios que ajudam a dilatar os vasos e a melhorar a circulação.


Mas cada caso é um caso — e é por isso que a consulta é tão importante.


Quer conversar sobre seus dedos coloridos?

Se você vive esse “arco-íris involuntário”, sente dor ou está com dúvidas, não deixe de me acompanhar e marcar uma consulta.


Estou aqui para avaliar, orientar e ajudar você a cuidar da sua saúde com leveza e informação de verdade.



Beijinhos da sua reumato,

Karen Santos Lima – Reumatologista

CRM MG 86411 / RQE 66505 // @karen.lima.reumato


 
 
 

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