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O que é imunossupressor?

  • Foto do escritor: Karen Santos Lima
    Karen Santos Lima
  • 2 de nov.
  • 3 min de leitura
Um par de mãos com vários comprimidos, ilustrando imunossupressor
Um par de mãos com vários comprimidos, ilustrando imunossupressor

Se você vive no mundo de pessoas com doenças autoimunes ou pessoas transplantadas você já deve ter ouvido falar de IMUNOSSUPRESSORES.


Imunossupressores, como o nome diz, são medicamentos que suprimem o nosso sistema imune, e são muito bem indicados no tratamento de doenças autoimunes e para pessoas transplantadas. Isso porque em ambas as situações o sistema imune pode "atacar" partes do corpo que não queremos (ou órgãos nossos mesmo no caso de doenças autoimunes; ou órgãos transplantados).


Nós atualmente temos alguns tipos de imunossupressores:

Sintéticos: desenvolvidos em laboratório, são em forma de comprimidos ou cápsulas. Exemplos:

  • Metotrexato

  • Leflunomida

  • Azatioprina

  • Tacrolimus

  • Ciclosporina

  • Micofenolato

  • Corticoides

Também temos imunomoduladores que ajudam no tratamento de doenças autoimunes mas não suprimem o sistema imune propriamente dito (como hidroxicloroquina ou sulfassalazina).


Biológicos: são normalmente anticorpos criados contra as partes do corpo que atacam os órgãos (citocinas, anticorpos, células específicas, etc). Podem ser de vários tipos, incluindo criados em animais, adaptados para o corpo humano, ou criados de forma humana. Normalmente são aplicados subcutâneos ou endovenosos, com um periodicidade variável de acordo com o remédio (variando de semanal a até algumas vezes por ano). Alguns exemplos:

  • Adalimumabe,

  • Infliximabe

  • Golimumabe

  • Certolizumabe pegol

  • Etanercepte

  • Abatacepte

  • Rituximabe

  • Tocilizumabe

  • Secuquinumabe

  • Guselcumabe

  • Ustequinumabe

  • Ixequizumabe

  • Natalizumabe

E vários outros a depender da condição a ser tratada.

Geralmente essa classe de medicamentos termina com "abe", e tem motivo para isso. Mas isso pode ser assunto para outro post.


Pequenas moléculas: Esses atuam contra sinalizadores do nosso sistema imune, e são realmente pequenas moléculas. São apresentados como comprimidos, de uso diário, e são bem recentes no arsenal terapêutico de doenças autoimunes. Alguns exemplos:

  • Tofacitinibe

  • Upadacitinibe

  • Baricitinibe

  • Deucravacitinibe

E sim, esses também terminam com "ibe" e têm motivo para isso. Se quiserem post explicando a nomenclatura desses remédios deixa um comentário.


Para quem é indicado o imunossupressor?

É sempre mediante indicação médica, e as principais situações são as citadas acima (doenças autoimunes e transplantes).


Que cuidados preciso ter se eu uso imunossupressor?

Excelente pergunta, e boa parte do que conversamos no consultório engloba essas orientações. De modo geral, se você usa alguma medicação desse tipo, nós estamos "abaixando a sua imunidade" de propósito para evitar reatividade da doença ou rejeição do transplante. Claramente existe um risco maior de infecções e de neoplasias, porque nosso sistema imune luta diariamente contra bactérias, vírus e parasitas que causam doenças e também contra células cancerosas que vão surgindo ao longo da vida. Então o que precisamos fazer é especialmente ter cuidados com infecções e neoplasias:

1- Cuidados para contágio

Isso inclui especialmente lavar bem as mãos e os alimentos e evitar contato com pessoas com doenças transmissíveis. Deixa pra visitar o amigo gripado depois que melhorar.

2- Vacinação sempre em dia

Uma das coisas que mais previnem doenças, ou pelo menos a manifestação mais grave das doenças, é a vacinação. Quem é imunossuprimido tem que ter alguns cuidados a mais com a vacinação. Existem vacinas indicadas para imunossuprimidos que não são indicadas para todo mundo além das que são de uso da população em geral. De modo geral, para adultos nos preocupamos com as seguintes:

  • Influenza anual

  • Covid-19 semestral

  • Pneumocócicas - o esquema varia de acordo com qual pneumocócica você tem disponível para usar (pneumos 13, 10, 20 ou 23)

  • Meningocócicas - B, C e ACWY

  • Hepatites A e B

  • HPV

  • Herpes zoster

  • Virus sincicial respiratório

  • Haemophilus influenzae

  • Tríplice bacteriana ou dupla adulto (dT, dTp, dTpa)

Importante lembrar para evitar vacinas com vírus vivos atenuados a não ser sob recomendação médica (febre amarela e dengue, por exemplos).

3- Rastreios neoplásicos sempre atualizados

Essa parte não tem segredo. São os rastreios recomendados para a população em geral. O importante é manter sempre atualizado conforme recomendação:

  • Ginecológico

    • Câncer de colo de útero - preventivo ou material molecular do HPV conforme recomendação do seu ginecologista

    • Câncer de mama - iniciando aí por volta dos 40 anos de idade

  • Urológico

    • Hoje em dia é muito controverso, de modo geral não há recomendação de toque retal ou PSA de rotina para a população na ausência de sintomas urológicos.

  • Colorretal

    • Colonoscopia a partir dos 50 anos

  • Pulmonar

    • Só para tabagistas de alta carga tabágica

E sem sem rastreio, mas investigações específicas de acordo com a suspeita. Aí você vê direitinho com seu médico.

E se ficou alguma dúvida sobre o tratamento imunossupressor, não deixa de consultar com seu reumatologista.


E me siga nas redes!

@karen.lima.reumato


Karen Santos Lima - reumatologista

CRM MG 86411

RQE 66505

 
 
 

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