Por que eu falo tanto de atividade física?
- Karen Santos Lima

- 17 de nov.
- 4 min de leitura
E por que eu vou continuar falando...

Se você já passou em consulta comigo alguma vez, com certeza já ouviu algo como: "E o que você faz de atividade física?". E se você ainda não passou em consulta comigo, saiba que essa frase vai chegar de alguma forma na nossa conversa inicial.
Isso não é perseguição. É carinho e cuidado mesmo. E hoje quero explicar por que bato tanto nessa tecla, e por que ela aparece em quase todas as nossas conversas sobre saúde. Principalmente quando conversamos sobre doenças reumáticas, dores crônicas e inflamação.
Vamos lá, então.
Atividade física é remédio (literalmente!)
Se existisse um comprimido capaz de:
Reduzir a inflamação
Diminuir a dor
Melhorar o humor
Fortalecer o coração
Ajudar no sono
Reduzir o estresse e a ansiedade
Proteger a saúde mental
Reduzir o peso
Aumentar a disposição
Se esse comprimido estivesse nas farmácias ele seria vendido rapidamente e custaria uma fortuna. Para não falar que eu estou mentindo, só pensa nessas canetas emagrecedoras que tanta gente usa e tem preço aumentado. Às vezes sendo usada em busca de emagrecimento mesmo sem indicação clara. Se está assim com essas canetas que oferecem só uma parte do que o exercício oferece, imagina como seria com a pílula do exercício.
Vai me dizer que você não tomaria esse comprimido se estivesse na farmácia? Eu acredito que sim. A questão é que esse remédio existe, só não na forma de comprimido que tomamos com um copo de água uma vez ao dia. E sim na forma de movimento, e nós tomamos esse remédio separando um tempo do nosso dia para realizar a atividade física. A boa notícia é que esse remédio é amplamente disponível e qualquer um pode usar, mesmo de graça.
Reduz o risco cardiovascular
Hoje em dia a maior causa de mortalidade da população em geral é por doenças cardiovasculares (infartos, AVC, hipertensão, etc). E isso é verdadeiro mesmo que estejamos falando de pessoas que não têm outras doenças. No caso da presença de doenças autoimunes, inflamatórias, diabetes e outras, o risco da pessoa ter problemas cardiovasculares aumenta e muito. A boa notícia nesse caso é que a atividade física regular:
Melhora o colesterol
Controla a pressão
Reduz níveis glicêmicos
Fortalece o sistema cardiovascular
Ou seja, o coração ama quando você se mexe. Mesmo que seja devagar.
Ajuda na saúde emocional
Esse ponto eu sei que pega muita gente. Nós vivemos em um mundo estressor, logo vivemos estressados, seja pelo motivo que for. Atividade física libera endorfinas e serotonina, ou seja, hormônios associados ao bem estar. O resultado? mais leveza, menos irritação, menos ansiedade.
E para quem convive com dor crônica ou doenças inflamatórias, isso faz uma grande diferença no dia-a-dia.
O movimento é aliado da dor crônica
Já tivemos um post falando disso aqui, mas sempre vale a pena reforçar. Quando sentimos dor temos uma tendência a procurar o repouso, mas aí é que mora o perigo: quando movimentamos menos os músculos tendem a enfraquecer, as articulações a enrijecer, e tudo isso cria uma bola de neve em que o repouso piora a dor -> a pessoa com dor procura o repouso -> o repouso piora mais a dor -> a pessoa com mais dor procura mais repouso... (já deu pra ver onde vai parar, né?).
Onde está a virada de chave?
Exercício fortalece o músculo -> músculo forte protege mais e sibrecarrega menos as articulações.
Movimento regular -> reduz rigidez
Atividade aeróbica -> reduz inflamação
Corpo ativo -> menos crises de dor
Não é sobre ser atleta, e sim sobre trabalhar seu corpo para ele trabalhar por você sem reclamar.
Exercícios adaptados: o segredo para começar
Tá, você já deve ser se deparado com uma tentativa de iniciar atividade física e com isso houve uma piora da dor. Isso pode ser driblado realizando exercícios adaptados. Atividade física não deve ser um combo de sofrimento + culpa + comparação com influencer fitness (pelo amor de Deus, né).
Exercícios adaptados:
Respeitam suas limitações
Evitam a piora dos sintomas
Permitem uma evolução segura
São personalizados para a sua condição.
Pode ser por musculação, pilates, hidroginástica, caminhada, exercícios com elástico, treino em casa, etc. O melhor exercício é o que você consegue fazer HOJE. Amanhã, a gente ajusta.
Exercício físico é sobre ganhar vida, não perder dor
No fim das contas, defender atividade física não é te pedir para virar atleta. É te convidar a ter:
Mais autonomia
Mais energia
Mais qualidade de vida
Mais saúde para o futuro
E isso é verdade para todos: jovens, idosos, iniciantes, avançados, pessoas com dor, pessoas sem dor, pessoas com inflamação, pessoas sem inflamação, e por aí vai.

E então, vamos começar?
Se você está perdido sobre como começar, qual atividade fazer ou como adaptar, converse comigo. Podemos montar um plano seguro e sem terrorismo.
Mover o corpo é investir em você!
Beijos da sua reumato!
Karen Santos Lima - reumatologista
CRM MG 86411 / RQE 66505
@karen.lima.reumato (me siga nas redes!)



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