Lupus Eritematoso Sistêmico
- Karen Santos Lima

- 8 de nov.
- 3 min de leitura

Não tinha como eu vir falar sobre Lupus Eritematoso Sistêmico sem fazer referência a essa série que fez tanto sucesso e que tanto falou na doença Lupus Eritematoso Sistêmico (que aqui neste post vamos chamar de LES). E não é para menos. O LES é uma doença autoimune com múltiplas possíveis manifestações e que pode se confundir com muitas outras doenças, por isso deve ser sempre lembrada nos diagnósticos difíceis (e como House é uma série com foco em casos desafiadores, não é de se estranhar a presença desse tema com tanta frequência na série - embora que eu me lembre apenas um paciente tinha de fato LES na série).
Mas o que é LES, afinal?
Certeza que você já deve ter ouvido falar dessa condição. Recentemente não tem sido considerada mais doença rara pois a prevalência vem aumentando (seja porque hoje nós somos mais precoces no reconhecimento da doença ou seja porque de fato vem aumentando a incidência da mesma). Hoje estimamos que no Brasil a cada 100.000 habitantes 98 tenham LES. Ou seja, numa população atual de 212 milhões, aproximadamente 21 mil pessoas têm LES. É doença mais comum em mulheres na idade reprodutiva, e isso nos mostra que o estrogênio tem papel importante na incidência da doença. Mas não se engane, pode acometer também homens, crianças e idosos, sendo que nessas populações pode se desenvolver de forma mais grave.
É doença autoimune. Nós já conversamos sobre isso, lembram? Se não lembrar, não tem problema. Só rever nossa conversa clicando aqui embaixo.
Mas de modo simplificado: doença autoimune é quando o nosso sistema imunológicoco começa a atacar o próprio corpo. No caso do LES pode pegar pele, articulações, rins, pulmão, coração, sistema nervoso, vasos, etc. Abaixo alguns exemplos de acometimento na pele e nas articulações.



Lembrando que LES pode acometer órgãos internos e nós não conseguimos ver essas alterações como vemos as imagns acima, tendo indicação inclusive de fazer exames de rotina para averiguar esses acometimentos.
E como que "pega" LES?
Não tem lupus quem quer, tem quem pode. Então tem que ter predisposição genética pra ter o LES. Não é doença transmissível, não é possível pegar de outra pessoa. Também não é todo mundo que tem a genética que desenvolve a doença. É preciso ter um gatilho ambiental (infecções, exposição ao sol, etc).
Pera aí, você disse sol?
Ah, sim, sol. Um dos gatlhos sabidamente conhecidos para atividade de doença é o sol. Os raios ultravioletas provocam danos na nossa pele, expondo antígenos nossos para o nosso sistema imune. Aí o sistema imune entende que esses antígenos são estranhos e começam a atacar os nossos próprios antígenos (nossas proteínas, nossa genética, etc).
Por isso parte importante do tratamento do LES envolve o uso de protetor solar e roupas com fotoproteção, além de evitar tomar sol sempre que possível.
Afinal, há pacientes que tiveram flare (atividade) de doença após uma viagem a praia sem os devidos cuidados.
E que outros tratamentos preciso fazer?
Entre os não medicamentosos temos: parar de fumar, praticar atividade física e comer bem.
Entre os medicamentosos, se não houver contraindicação, nós sempre usamos hidroxicloroquina, podendo associar ou não a outros imunossupressores ou corticoides, dependendo da manifestação da sua doença. Mas lembre-se que todas essas medicações têm riscos e benefícios a serem avaliados caso a caso. Então siga a prescrição do seu médico.
Tem dúvida sobre o que imunossupressor? Já temos um post aqui falando do assunto! Clica no botão aqui embaixo para ver:
Tem dúvida sobre o que é corticoide? Esse é um tema dos próximos posts, então fique ligado(a)!
E caso tenha alguma dúvida ou queira ver o diagnóstico ou rever o tratamento do seu LES, venha comigo!
Beijos da sua reumato!
Dra Karen Santos Lima - reumatologista
CRM MG 86411 / RQE 66505



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